OS PROBLEMAS NA AMAMENTAÇÃO.

A sociedade atual reproduz uma ignorância coletiva. O problema primordial da amamentação na contemporaneidade é falta de conhecimento, apoio, incentivo, estímulo, entrega, paciência, compreensão da importância dos primeiros cuidados no início da vida e de abdicar no início um pouco de si para a fase do bebê de exterogestação; peito é muito mais que alimento. Parar de culpabilizar a mãe, o problema é questão sócio histórica, a culpa é social.

Está cada vez mais difícil as mulheres amamentarem, exercerem sua maternidade com a tranquilidade e respeito que merecem. 

A causa é a demasiada pressão social e tantos palpiteiros sem sabedoria científica, e alguns pediatras que ao se depararem com mães aflitas por problemas de amamentação, não incentivam com ajuda de outros profissionais do ramo de aleitamento materno (psicólogos perinatais, consultoras de aleitamento materno, bancos de leite em hospitais de referência que trabalham de forma gratuita e especialistas no assunto) a encontrar soluções para seus problemas; proferindo praticas equivocadas que não são recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, antecipando o desmame precoce indicando logo no primeiro problema fórmulas $$ artificiais no lugar do leite materno.

Infelizmente muitas mães em seu momento de fragilidade no pós-parto são massacradas psicologicamente por profissionais desqualificados ou que se habituaram em praticas equivocadas acreditando ser corretas, proliferando o senso comum no campo científico no lugar de prática científicas. 

A mulher e o público leigo se entregam cegamente acreditando no saber e no poder do profissional, e muitas vezes, descobrem depois erros gravíssimos que custaram sua vida psíquica ou física; a palavra de um profissional da área de saúde têm um peso devastador no paciente, podendo ser construtivo ou destrutivo em sua vida.

Esses profissionais da saúde tanto em hospitais como em clínicas deveriam inicialmente encorajar e procurar outras possibilidades, valendo pedir ajuda a outros profissionais; no lugar de induzirem com a solução rápida do leite artificial em bebês que saem da maternidade e ficam nos berçários isolados de suas mães em seus cercados (prisões) de acrílico (berçário é para bebês com risco, os prematuros como todos bebês que nascem de cesariana e necessitam de cuidados porque nasceram fora de seu tempo).  

O isolamento e separação mãe-bebê principalmente no período de exterogestação (nessa fase inicial) é crucial na problemática da amamentação, porque isolado e distante sempre que o bebê necessitar do seio materno ele não está, sem sua presença, sem o estímulo da sucção do bebê, os estímulos cerebrais que fabricam e liberam o leite não são ativados, essa ativação ocorre em constante exercício no convívio mãe-bebê sempre oferecendo o seio quando o bebê solicita.

Importância do contato mãe-bebê para a amamentação: aciona os principais estímulos sensoriais responsáveis por produzirem e liberarem o leite materno.

Bebês de parto natural, que nascem sem risco ou complicações não necessitam de berçário, colocá-los em berçários é uma prática errada que somente a pouco tempo no SUS estão mudando nas maternidades; bebês saudáveis devem estar em contato pele a pele com a mãe no ato do nascimento e continuarem com ela.  

Essa prática logo no nascimento também interfere na amamentação, sabendo que o contato pele a pele (barriga com barriga) estimula os hormônios principais do aleitamento materno (prolactina na fabricação – ocitocina na saída do leite).

 

No sistema de fisiologia da lactação podemos observar a importância do vinculo mãe-bebê, é no ato de sucção sem limite de tempo; onde são acionandos os estímulos sensoriais que pemitem as funções cerebrais produzirem e liberarem o leite materno. O bebê interage com nosso organismo e sabiamente nessa programação institiva, ele (seu organismo) determina quando e quanto tempo necessita mamar para fabricar e liberar o leite. Quando está “dormindo ou não” no seio, ele está acionando e estimulando todo este processo. As bombinhas e mamadeiras não substituem porque é no contato pele a pele que são acionadas as terminações nervosas para o sistema de lactação. Bicos artificiais (chupeta, mamadeira..) provoca confusão de bicos no bebê, dificultam a amamentação e provocam desmame precoce.
 
  

A cesariana que não é um tipo de parto e sim uma cirurgia de complicações e emergências obstétricas, também pode inibir e ser um complicado para algumas mulheres na produção e liberação do leite, porque o organismo não estava pronto, não entendeu que pariu, pariram por ele, o cérebro pode as vezes não liberar os hormônios do aleitamento de forma natural, por isso algumas precisam de um empurrão com medicamento e as vezes nem assim acontece.
Quanto mais intervimos no funcionamento do nosso organismo, que é perfeito em suas funções quando não se tem anomalias, mais estragamos e complicamos sua funcionalidade.

O vínculo mãe-bebê deve sempre ser estimulado, incentivado pela sociedade para melhor qualidade psíquica e fisiológica de ambos e respeitando o início da vida podemos construir uma sociedade melhor com mais amor, afeto, relação de apego…proporcionam pouca possibilidade de traumas, revoltas, rejeições em suas vidas.  

O problema da falta de respeito e colaboração social na maternagem interfere não somente naquela mãe-bebê atingidos e sim, em toda sociedade, porque são seres sociais que fazem parte do nosso todo social.

A amamentação possui um fator primordial para sua realização que pode interferir positiva ou negativamente: O FATOR EMOCIONAL / O PSIQUISMO. 

A sociedade ainda desconsidera muito e desvaloriza as questões emocionais, porque não são materiais, não podemos pegar…valorizam muito mais questões físicas, exames, medicamentos. Porém a mente humana com toda sua complexidade é o dispositivo primordial que causa as complicações orgânicas, quando interage com o meio se torna um barril de pólvora.  

O psiquismo não é um fantasma, entidade desconhecida, faz parte de nós e todos possuem; porém sua construção não é de causa pessoal, culpa nossa, nossa invenção. 

O psiquismo se constrói e modifica nas relações sociais, na interação com o meio, nas construções sócio históricas e culturais com suas normas, regras que nascemos acreditando que são a verdade absoluta, mas mudam constantemente e são inventadas em cada contexto de época.

Reproduzimos essas regras que se naturalizam, tornando hábito, sem refletir e muitas vezes reprimimos nossos desejos, vontades, nos anulando a imposições sociais para nos sentirmos pertencidos ao meio; porém muitos vivem sufocados, sentindo aprisionados em um mundo a ponto de explodir.

Essas normas e regras sociais que estão instaladas em nosso psiquismo, reproduzimos sem pensar, interferem em nossas vidas e interferimos na do próximo.

Esse psiquismo social que se interiorizou em todos nós é o maior complicador da amamentação, na gestação, no pós-parto, na vida. Porque vivemos tendo como base essas verdades que disseram ser as absolutas; as pessoas bombardeiam as mães desde a gestação com o terrorismos com mil perguntas, estórias e dicas aterrorizadoras que muitas mães seguem essas falas que são transmitidas à gerações estragando a amamentação de quem as segue; destruindo o vínculo mãe-bebê a construção da personalidade, do psiquismo deste novo ser e atingindo fundo o emocional de muitas mulheres que sofrem nessa escuta maléfica : 

-“E se você não tiver leite?”  

-“Você tem bico, peito tá pequeno, tá grande? 

-“E aí, já desceu? Como tá o fluxo? Tem leite?” 

-“O bebê tá gordo, tá magro, tem dobrinhas?”  

-“Para de dar peito, já comeu demais, tira esse peito?”

-“Pra que dar peito, vai cair é coisa antiga você não pode viver em função só do bebê, tem sua vida, usa bombinha, ou da leite artificial na mamadeira, pra que ficar sofrendo de dor e bico rachado na mamada, e ficar todo tempo colada no bebê? Leite artificial é a mesma coisa?” 

-“Tira o peito com o dedo mindinho, o bebê já dormiu, não tá mamando, não cai mais leite, não serve pra nada ele ficar aí parado no seu peito?”  

-“Não deixa ele chupeitar seu peito, vai ficar manhoso, pegajoso e mal acostumado; não deixar fazer do seu peito chupeta?” 

-“Tem que educar desde cedo pra aprender com a vida (quase na pancada do sofrimento), pra isso tem que limitar o tempo da mamada, tem que ser de 3 em 3h, não dá mais deixa chorar…?  

A mulher do pré ao pós-parto é bombardeada, checada por várias pessoas pra certificar sua funcionalidade como mãe no troféu do prêmio do leite, que é de intimidade dela e do bebê e deveria ser respeitado. 

Invadem sua intimidade, sufocam tanto seu momento que realmente não há leite que aguente, o coitado tenta descer, mas trava nessa pressão; secam a alma da mãe e atingindo seu íntimo seca até o leite.

Só faltam apertar seus seios para checar mesmo se o leite veio, tem mulheres que ansiosas ficam apertando sempre pra ter certeza se tem leite (colocaram tanto em sua cabeça que duvidam de sua existência), se não aparece, se desesperam (muitas nem sabem apertar no lugar certo, existe técnica pra isso), querem exibir pra estes terroristas deixarem em paz…

No psiquismo social construíram ideias fixas e mitos que por mais que você obtenham conhecimento e saiba que são mitos, que muitas praticas são erradas e acreditamos nelas; existe algo tão forte na construção desse psiquismo social que lutamos, tentamos mas é difícil tirar de dentro de nós. 

Acabamos vivendo a mercê dessas pressões que se tornaram internas, se tornaram nossas, mas não são nossas, foram criadas e introduzidas na sociedade no convívio social.

Por isso mulheres com problemas em amamentar não são culpadas e nem devem se culpar, a culpa é social.

A culpa é tão social, porque esse psiquismo social fazem surgir as cobranças internas de cada um; cada mulher tem introduzido no convívio social certas regras e acredita nelas e se sente pressionadas a seguir para se sentir pertencida, para não se sentir uma aberração defeituosa, para se sentir mulher e principalmente no pós-parto se sentir de fato mãe. Sentir-se mãe é uma construção gradativa, na prática mãe-bebe no dia a dia, é que “cai a ficha” de ser mãe; cada uma responde de uma maneira em sua particularidade. 

Com tudo isso, a importância e a cobrança em questão da amamentação tem um peso tão grande, que pode e muitas vezes bloqueia a própria amamentação de muitas mulheres.  

Quando um profissional não se empenha em ajudar a mãe que possui dificuldades em amamentar que geralmente é de cunho psicológico e falta de conhecimento em aleitamento materno, ele não está somente trocando uma forma de alimento do bebê para o leite artificial; está quebrando o sonho de uma mãe, está destruindo psiquicamente uma pessoa, prejudicando a relação mãe-bebê, a saúde física e emocional dos mesmos. 

Nessa construção de um pseudo saber em uma mistura de coisas que criaram e se apropriam como se fossem verdades científicas e não é; falas da ignorância coletiva que não possuem fundamento nenhum, fazem parte do nosso folclore linguístico.   

Assim, fica cada vez mais difícil a mulher atual amamentar, compreender todo processo, ter a paciência do tempo da maternagem que não é o nosso tempo da rotina acelerada do dia-a-dia, é um tempo mais lento, requer muita paciência, observação, dedicação, empenho e de saber a importância da amamentação livre demanda.

Difícil a mulher provedora da atualidade parar por alguns meses seus afazeres e se dedicar ao bebê, ficar mais em casa, amamentar livre demanda as vezes ficar 160 mim ou mais com o bebê ali no peito até dormir e o próprio bebê decidir tirar o peito (deixá-lo expressar e criar suas vontades, poder e liberdade de decisão de querer ou não o seio, de ser atendido, correspondido, e não ignorado, rejeitado). Não suprir as necessidades do bebê nessa fase deixa profundas marcas psíquicas que podem acarretar transtornos mais tarde e por isso aumenta o número de crianças e indivíduos nas clínicas psicológicas e psiquiátrica; a raiz do problema está no início da vida. 

Amamentar nos primeiros meses (dependendo do bebê) geralmente é avassalador para a mãe, às vezes de 10 em 10 min, 20 em 20 min, todos os dias por vários meses…é exaustivo, mas bem vindo ao mundo do bebê, é assim mesmo; até chegar em alguns meses que no desenvolvimento o bebê passa a interagir e, fica muito mais divertido, prazeroso, as mamadas se espaçam mais. 

Difícil para mulher ativa, produtiva da atualidade ficar horas parada para não atrapalhar a mamada onde o bebê está pegando no sono e qualquer movimento pode acordar, perturbar… 

Pensa se fosse você, gostaria que alguém perturbasse seu sono?

Sua hora de comer?

Porque temos que perturbar e estressar os bebês, pra acostumar a vida estressante?!

A tal educação de ter que acostumar desde pequeno a sofrer, é a pior das ignorancias! 

Qual mãe tem essa paciência e disponibilidade em um mundo que a pressiona pra trabalhar em seu período de amamentação (na cruel licença maternidade que induz o desmame e o distanciamento mãe-bebe tão precocemente na sua fase de adaptação e construção de vínculo, e da personalidade do bebê que inicia durante a amamentação no seio materno que não é só alimento), estressando, apressando e atropelando o momento dela e do bebê; a pressão da beleza e da estética de ter que entrar em forma rápido, toda essa velocidade moderna atropela o bebê e suas necessidades.

O que custa parar alguns meses ?!  É só uma fase, pode não parecer, mas passa rápido. Para o bebê, pra este novo ser, custará muito ao longo de sua vida.

As mães que não trabalham podem ter esta disponibilidade, mas muitas nem assim o fazem, porque escutam a ignorância social de alguns profissionais da saúde, amigos, pais, parentes…

Assim rompem precocemente o vínculo, o afeto, ruptura cruel pra mãe e para o bebê que mais à frente ao longo do desenvolvimento pode trazer problemas, dependendo tamb.da interação genética de cada um…mas sempre terá questões de fundo psíquico que só iremos entender quando a criança em algum momento da vida cresce e necessitará de um psicólogo, e no espaço clínico mesmo se esta criança já é um adulto, a fala e a escuta sempre baterá na primeira infância: porque cresceu se desenvolveu com essa sensação de falta, falha, vazio…e sempre existirá.

Crescerá tentando preencher esse buraco, o tal vazio existencial contemporâneo, a tal falta de algo na vida, não se sentir completo…

Tudo porque o afeto, acolhimento, aconchego e vínculo durante amamentação e cuidados com o bebê; inexistiu ou não o satisfez.  

O peito é o objeto de transição do bebê para se adaptar ao mundo (exterogestação) e passar a se interessar no mundo externo..mamadeira, chupeta…não são a mesma coisa e provocam o desmame e a diminuição de leite porque prejudica a sucção ao seio que é um dos principais estímulos na produção e saída do leite.

Como os tipos de amor, também não são a mesma coisa; o amor da mãe e do pai diferem do de outros cuidadores, o amor de casal difere de amigo, os sentimentos pra cada pessoa diferem, nunca são iguais e nunca substituem um ao outro..,podem ser paliativos, mas nunca iguais e no nosso inconsciente a falta do momento da fase inicial da vida, do prazer da amamentação, da fase oral….reflete em toda vida.  

O pouco ou falta de estímulo e satisfação dos prazeres do bebê nessa fase repercute ao longo de sua vida. Explica o porquê tantas crianças indo ao psicólogo, explica tantos problemas cognitivos, físicos….muitas coisas são de fundo psicológico o físico só acompanha; e torna-se um ser sempre em busca de se sentir pertencido, de preencher um vazio que nem sabe, nem lembra que vazio é este que está em seu inconsciente nas imagens mnêmicas. 

Da mesma forma que a mulher contemporânea desaprendeu a parir, realizar seu parto naturalmente fisiológico por causa do capitalismo dos “substitutos” dispositivos facilitadores e atrofiadores do ser humano; muitas também desaprenderam a amamentar, a educação não violenta, aos cuidados com bebês….é tudo novo para humanidade civilizatória que tem de reaprender a ser humano e a cuidar dos novos humanos que a própria civilização engoliu destruindo este saber. 

Por que estão exigindo parto natural?

Nos meus estudos sempre procuro bases históricas e científicas, nada de achismos e opiniões que propagam a ignorância e falta de conhecimento que se espalham na sociedade como um vírus; e as pessoas reproduzem cegamente erros como se fossem naturais, tornam-se hábitos, não refletem, não questionam, não pesquisam e agem sem consciência.

Analisando a fisiologia do parto, o ato de parir é um fenômeno natural como qualquer necessidade fisiológica, é algo que está na nossa essência de seres mamíferos.

A civilização e a sociedade nos tornou tão humanos, e tão racionais, que esquecemos que somos seres mamíferos, temos uma predominância e raízes animais, primitivas sim; a única coisa que nos difere dos outros animais é que somos racionais e nos tornamos humanos com a evolução das espécies e da civilização. Porém, as necessidades e instintos se assemelham e temos muitas coisas iguais aos dos animais; parir é uma delas.

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Destaque

Amamentação: Não existe leite fraco!

Não existe leite fraco, ralo…o leite materno é fabricado de forma perfeita pra cada organismo.

Se alguém disser ao contrário, mesmo se for pediatra, peça para comprovar em artigos científicos ou exames; como não existe, é impossível mensurar a qualidade e quantidade de leite pra cada tipo de bebê, é algo exclusivo, só acreditar, confiar no corpo e se doar na amamentação livre demanda sem regras de horários. Se seu pediatra não for de acordo troque de médico, ou ignore dando peito ilimitadamente para seu bebê.

Amamentar é a melhor forma de imunizar seu filho, não existe tempo limite, após 1 ano o leite tem outras propriedades importantes, ele nunca fica velho ou desnecessário existem artigos científicos que comprovam.

Amamentação: Não existe leite fraco!

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