A BOLSA ROMPEU E PARIU DE FORMA NATURAL APÓS 36 h.

Relato da minha doulagem com os pais Natalia Rosa, Jonathan e a filha Ágatha.
– RELATO DA MINHA DOULAGEM: 
Antes de ontem virei o dia c/esse casal,minha gesta tentou entrar comigo p/atuar como Doula no Hospital Leila Diniz na Barra da Tijuca/RJ q nunca entrou e nem aceitou nenhuma Doula mesmo c/a Lei do RJ, só permitiram se eu entrasse como acompanhante sem a presença do acompanhante dela q era o marido. 
A lei é clara q a presença da Doula não isenta do acompanhante; e mesmo assim disseram q não podia atuar como Doula, nada de Rebozo, massagem…negativa q pretendo agir depois….mas não podia prejudicar o TP (Trabalho de Parto) da gesta na hora.

Fomos p/a referência em humanização do SUS no RJ o MMA – Maria Amélia no Centro distante da Barra ela estava de Bolsa rota como falei e consegui ficar c/ela em local perto da maternidade pra permiti-la avançar no TP ainda mais p/não ficar muito tempo no hospital; podíamos até ficar mais tempo esperando, mesmo explicando a família ficou com medo ao ver sangue sair (mas ao chegar no hospital viram q era só sinal do início da dilatação), quiseram ir ao hospital porq já havia mais de 10h de bolsa rota.

Fomos ao MMA porém o clima hospitalar sempre inibe um pouco ainda mais lugar q não conhecia.

O hospital sabia o real tempo da bolsa rota; viramos plantões e todos permitiram respeitaram o tempo dela, casal tranquilo, sinais da mãe bebê perfeitos….

Porém como estudante de psicologia percebi logo juntando a literatura psi, a observação que tive da mãe e família…a forma do TP dela….q prolongamento de TP geralmente é DISTOCIA EMOCIONAL.

To dividindo o relato porq achei importante.

A gesta primípara grávida de uma menina, entrou em silencioso TP quase não gemia, nem vocalizava, nem gritava a dor era um processo introspectivo, sempre olhos fechados, eu respeitei isso…o corpo dela expressava de outras formas…poucos balanços.

No início fazia Rebozo p/aliviar a dor q reclamava no cóccix e massagem…ela pedia muito.

Qd entramos no hospital deixou no início fazer tudo q como Doula podia, caminhava…mas qd início a dilatação de verdade ela ficou ainda mais inconsciente contrações fortes e dormia profundamente em todas essas horas era um TP oculto q parecíamos invisíveis p/equipe porq ela não escandalizava.

Qd iniciou dilatação não queria beber, comer, pediam p/ela se alimentar ela nem conseguia comunicar, falar só balançava a cabeça negando, qualquer toque parecia q recebia um choque, parei de toca-lá qd ela pediu desculpas e disse sussurrando agora não…eu e o marido éramos as pessoas q ela queria ser tocada e ficamos de lado nesse tempo. Marido respeitou expliquei p/ele q era momento importante p/ela fazer nascer a filha, ele entendeu.

Ela começou processo intenso de vômitos fortes diversas vezes, dormia contrai vomitava…várias horas. Solicitei a equipe soro p/hidratar porq ela não comia horas….deram.

Qd amanheceu ela sentiu fome mas qd chegou a comida intensificou o TP e rejeitou, pediram tentou comer vomitou tudo diversas vezes….com o tempo a dilatação de 1 foi p/ 4 só no dia seguinte qd chegou a 7 levaram p/sala de parto q parecia ambiente aconchegante c/banho de ducha particular no quarto de parto só pra ela, sugeri ir p/ducha e mesmo sem estar no período expulsivo ela quis sentou na banqueta porq toda vez q contraia ela fechava a perna instintivamente e a banqueta ajudou a perna abrir e ela se entregar.

Sabia do seu problema c/as pernas conversávamos no pré natal muito porq qd teve forte pródomos ela se assustava e fazia isso; disse a ela q é natural mas precisa trabalhar e permitir abrir as pernas pra Parir…

A relação casal criou força na gestação ela não queria a presença do pai e sim de sua mãe, e na última semana mudou de ideia (tive q dar aulão intensivo p/pai – usei os pacotes vips q tenho de vídeos de congressos sobre parto, vídeos de parto, e muita conversa com ele).

A distocia emocional referente a várias questões inconscientes, na psic.perinatal algumas teorias costumam associar os sintomas a isso; mas não consigo detalhar e nem quero aprofundar tudo agora p/vcs. 

Apesar de não querer deixar a teoria me influenciar, mas os detalhes encaixavam na gesta e no casal..e nos sintomas dela.

Na sala de parto qd sugeri o banho na ducha ela sentou na banqueta fechou os olhos e se conectou fiquei bem longe mas de olho discretamente p/sair do campo de visão dela, ela sempre pedia pra desligar a luz, não precisou pedir já sabia e desliguei…ficou na penumbra do banho….

Começou a mexer muito o corpo pelada na banqueta a dança do TP fluiu a perna q se fechava abriu pela primeira vez em sua totalidade, começava agachar e levantar instintivamente…ficou muito tempo assim..cochilava pouco.

Marido toda vez q ela dormia no TP ele apagava no sono como ela por tamanha conexão do casal nessa hora, ele ficou próximo mas dessa vez sem toca-la nesse sincronismo de sono.

Qd em algum momento ela abriu o olho sempre fechado sugeri, vc quer q ele fique com vc no banho…ela disse vai molhar a roupa dele (ela queria mas tinha preocupação). 

Eu percebi e disse não importa tudo é válido pra filha de vcs nascerem.

Ele disse não tem problema amor tenho outra roupa ela sorriu meio no transe e ele ficou sentado de frente pra ela- ela sentada na banqueta (no pré natal sugeri pra ele fazer carícias em sua coxa de leve sem forçar se ela quiser no sentido de abrir a perna- o toque de preliminares)

Na hora ele fez o carinho…as pernas abriram ainda mais e vi uma cena mais linda do mundo. Ela fechou os olhos em intensas contrações de 1 em 1 prolongadissimas a barriga parecia explodir vi de longe sem eles perceberem a cabeça da bebê através de sua pele pelo volume começar a descer parecia elevador; a bebê alta tava vindo, a parte do pubis começou a inchar muito…pensei vai sair ali.

Chamei discretamente uma enfermeira pedi p/ela falar baixo pra não atrapalhar TP ela percebeu q tava bom e se afastou disse deixa mais um pouco mas ficou por aí…

Qd realmente a filha tava descendo mais, a gesta resolveu levantar sair do banho e queria se cobrir e vestir a calcinha…tentei falar mas dessa vez não rolou ela rejeitou novamente. 

Parei pensei o q fazer? 

Ela se deitou de lado e descansou de roupa. 

Entrou enfermeira fez toque e dilatação total. Qd a enfermeira saiu a gesta me disse estar cansada, eu falei vcs querem sair daqui com sua filha no braço? Vc quer q acabe? 
Vamos permitir sua filha vir ao mundo?

Sei q a barriga é gostosa mas vc precisa se despedir dela, vc precisa permitir ela vir, vc que fará tudo c/sua bebê ela quer nascer mas vc precisa permitir isso. 

Ela parou pensou balançou a cabeça em silêncio agarrou a barriga e parecia conversar mentalmente em seus olhos fechados.

Sai deixei o casal sozinho. 

Tive q agir ajudar no empoderamento deles, e voltarem a acreditar. Ambos estavam preocupados c/saúde do bebê e da gesta exausta.

Utilizei o poder médico q psicologicamente pode ajudar ao casal acreditar, fui na equipe e disse:

Gente a gesta da bolsa rota prolongada é distorcia emocional o corredor parou equipes me olhavam, gente chegou e surgiu uma santa EO entrou no quarto c/voz forte e serena viu os batimentos do bebê e disse a filha de vcs tá ótima, batimento perfeito, mas vc precisa trazer ela, vamos ver sua filha – a Agatha -, qd chegar contração forte faça força comprida de cocô… Nessa hora as contrações estavam irregulares, fracas e espaçadas, a gesta deu pausa pra esperar a próxima e a EO disse p/pai vamos colocar uma música, o q vcs gostam coloca aí…o pai pegou o celular e a Playlist ele escolheu Beyonce a sala de parto do SUS virou boate…kkk

Sei q não é indicado puxo dirigido mas aquela gesta precisava e queria ela fez e a EO perguntou pai vc quer pegar na cabeça da sua filha, ele pegou e a emoção foi absurda a gesta sentiu q era real….

A EO perguntou p/gesta vc quer pegar na cabeça dela, ela disse mas pode, e devagar começou a descer a mão e na outra força sentiu e sorriu caiu em lágrimas e sorria com a maior felicidade do mundo sem acreditar…o marido idem, os maiores sorrisos do mundo ela olhou pra mim, pra ele e sentiu segurança q realmente tava nascendo, estava tudo bem…

As contrações q estavam fracas surgiram o corpo começou a fazer força sozinho, ela entendeu e sentiu o q era parto na real fora os vídeos, o q era puxo, qd vem a força se contraia pra baixo naturalmente, cabeça no queixo pegou a minha mão e a do pai fazendo sentido pra nós puxarmos as pernas dela com joelhos em sentido peito mais pra lateral abrindo porq ela tava sentada naquela cama de parto reclinável; ajudamos a fazer cócoras naquela cama.

A sala encheu de gente (pensei vai inibir o TP) q nada, ficou mais forte ela engrenou no transe escutava as falas da EO e médica dizendo sobre força comprida fazia, olhava pra mim buscando forças e queria ouvir algo pelo q sentia na afinidade q desenvolvemos…comecei a espécie de “psicoterapia brevíssima na sala de parto”, ela me olhava massageava sua nuca e disse próximo dela: vamos ver sua filha, permita q ela nasça, deixa ela vir ao mundo, se liberta, vence essa dor vc é maior q ela, deixa a dor vir com tudo se entrega, deixa queimar vai arder, mas a dor e arder é bom é ela vindo….

Em tempos e tempo dizia coisas q intuitivamente sentia ser necessário pra ela, o olhar dela me dizia algo, olhar do marido equipe….o clima permitiu.

Esse relato de Doula me fez refletir q na atuação além das regras, técnicas existe a observação apurada que diferencia cada caso pelas questões subjetivas, intrasubjetivas e intersubjetividade q fazem cada caso ser único estar aberta como profissional pra desvendar os segredos ocultos no silêncio inconsciente dos envolvidos pra criar possibilidades e saber agir na hora certa, sem ser muito invasiva e ser invasiva qd permitem tentando ser facilitadora como Doula no processo do parto. 

Percebi q existem pessoas q além de seus poderem internos, alguns como o casal e a equipe precisavam de alguém q acreditasse qd ninguém acreditava, alguém q investisse no pouco provável, no pouco possível e tentar ajudar a tornar possível aquilo q gostariam q acontecesse – o parto. 

O conhecimento da literatura, cursos, tudo são hipóteses nem tudo dá pra seguir ao pé da letra; nosso saber como profissional é de unir todo conhecimento e poder utilizar ou não, ter liberdade p/qd achar necessário criar, recriar no q já existe ou em novas possibilidades, se entregar como a gesta deve se entregar p/parir….assim a Ocitocina e o empoderamento não é só da gesta – isso tudo contagia em todos envolvidos emanando uma força sobrenatural onde a sala de parto se torna um local de potência e todos nós parimos com a gesta. 

No final todos se abraçaram em êxtase e empoderados.

* a menina fez sua estréia no mundo e escolheu nascer dançando na noite de ontem ao som de “single ladies” Beyonce.

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